quarta-feira, 11 de maio de 2011

Transformando água em vinho novo


Há uma passagem bíblica que me encanta, refiro-me ao milagre que Jesus realizou numa festa de casamento. Lendo a respeito deste acontecimento deparei-me com uma curiosidade a respeito deste feito. Esse texto está no Evangelho de João, capitulo 2, versos 1 a 12.



O texto já descreve a finalidade dos potes utilizados na execução do milagre (em outras versões podemos encontrar a palavra “talha”), e em algumas Bíblias de estudo há breves relatos a respeito desses potes. Esses potes ficavam em frente às casas, podemos considerar como que um "ritual". Os judeus mais conservadores usavam os potes para cumprir as regras das purificações cerimoniais e nem mesmo num momento de celebração, que era o do casamento na ocasião, esses costumes eram deixados de lado.



Mas o que me chamou a atenção é o fato de que até mesmo numa festa de casamento os judeus honravam – os rituais de purificação. O velho tradicionalismo e religiosidade que mata, e que é maquiado em nossas igrejas! Mas imaginem só: Nosso Senhor Jesus Cristo transformou aqueles potes, símbolos pesados da dispensação antiga, em odres de vinhos, anunciando a chegada das boas novas. Da água usada pelos fariseus para as purificações cerimoniais veio o vinho novo de 1ª qualidade! Se naquela ocasião o tempo da purificação ritual havia passado para dar lugar ao tempo da celebração, imagine se permitirmos que o Senhor faça a mesma coisa com os potes de "nossas casas"? Acredito que seja tempo de celebração para TODOS, mas acima de tudo, deve ser o tempo de prioridade...



Diante das dificuldades, devemos falar primeiramente com o Senhor. Nos momentos felizes, dar exclusividade a Ele... Maria foi até o Mestre. É bem verdade que ela sabia quem Ele era, mas Maria poderia simplesmente avisar diretamente ao responsável pela festa sobre a falta do vinho, mas ela foi até ao Senhor!



Podemos transformar nossa tristeza em alegria aprendendo a priorizar o Senhor e permitindo que Ele transforme a água de nossos potes em vinho novo! Deus merece o melhor, então olhemos para o alvo: JESUS!!!



:: Por Giane S. Santos.
   Extraído de http://www.lagoinha.com/

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A oração de Isaque


A oração de Isaque
“Todos se rirão comigo, se alegrarão com o meu milagre.” (Gn 21.6-7.)

Isaque cresceu num ambiente de oração e de adoração. O seu nascimento fora um milagre tremendo, que podia ser comprovado por todos os que fossem à tenda de Abraão. Ali estava Sara, com seus noventa anos, amamentando o pequenino que lhe nascera. Como o Senhor Deus de Abraão era bondoso e fiel! Ele havia prometido ao seu servo um filho e cumpria a sua palavra. O nome do menino traduzia toda a felicidade do casal, Isaque quer dizer “riso”. O casamento de Isaque com Rebeca também foi resultado de oração. Eliézer, o mordomo de seu pai, recebera a incumbência de ir a Padã-Harã buscar-lhe uma esposa idônea, pertencente à família de Abraão. Com tal tarefa, Eliézer sabia que não poderia falhar em sua missão, por isso orou ao Deus de Abraão, e seu próprio Deus. Ele pediu que o Senhor o conduzisse e lhe mostrasse, através de um sinal, qual moça seria a escolhida de Deus para o filho de seu senhor. A moça que tirasse água para ele e também, espontaneamente, se propusesse a dessedentar os camelos da caravana de Eliézer, esta seria a esposa de Isaque. E Rebeca foi aprovada e reconhecida como tal. Um casamento feliz para o filho da promessa. De sua descendência, Deus enviaria ao mundo o salvador da humanidade, o Messias.

Isaque presenciou toda a cena da maior prova de fé de seu pai. O Senhor Deus pediu a Abraão, em holocausto sobre o altar de adoração: a vida de seu filho amado. Isaque percebera que aquela adoração seria diferente de todas as que vira seu pai dedicar a Deus. Ele perguntou pelo cordeiro para o sacrifício, ao subir o monte Moriá, e ouviu a resposta de fé: “Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto.” (Gn 22.8.) Abraão não negara ao Senhor o que tinha de mais precioso sobre a terra: o seu filho único, o herdeiro, o que levaria a semente da promessa para o resgate dos homens todos... Abraão estava pronto para oferecer Isaque sobre o altar. Ali estava amarrado e deitado sobre a lenha do altar de pedras toscas. Quando seu rosto foi virado para o lado e Abraão se preparava para imolar o filho, do céu, lhe bradou a voz do Anjo do Senhor, dizendo: “Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui! Então lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho.” (Gn 22.11-12.) Ali, naquele momento, o Deus de Abraão também seria o Deus de Isaque. Ele conhecera o amor, a bondade, a fidelidade, a justiça, a santidade do Deus de seu pai...

Nas experiências dos pais com Deus, os filhos também se tornam verdadeiros adoradores.

Tudo o que fazemos nesta vida repercute em nossa descendência e devemos sempre nos lembrar que estamos escrevendo capítulos de nossa história que ficarão para a posteridade. Devemos ser modelos de vida, como referenciais, para os nossos filhos e para todos os que virão depois de nós... Isaque prosseguiu buscando a Deus em oração e levantando altares de adoração. Ele agia como adorador. Como servo fiel do Deus único e verdadeiro, o Criador dos céus e da terra. Logo após o seu casamento com Rebeca, sua vida devocional de oração se revelou de maneira intensa. Durante vinte anos, Isaque orou para que sua esposa pudesse gerar filhos. E, aos sessenta anos, ele foi pai dos gêmeos: Esaú e Jacó. Vemos Isaque buscando a Face do Senhor nos momentos de decisão e dificuldade. Por exemplo, quando houve fome em Canaã, ele não foi para o Egito, como seu pai, em épocas passadas, mas recebeu a orientação do Senhor para que ficasse em Canaã, na terra de Abimeleque, em Gerar. Ali semeou, em meio à aridez da seca. Uma atitude totalmente “louca” para um agricultor: semear em tempo de ausência de chuva, em plena sequidão. Mas Isaque estava obedecendo ao Senhor. Ele havia buscado sua direção e decidira obedecer ao que Deus lhe ordenasse fazer (Gn 26.12-14). Isaque aprendera o caminho da fé, com seu pai Abraão. O que Deus lhe dissesse para fazer, ele o faria. Para onde Deus o mandasse ir, ele iria. O Deus de Abraão era também o seu Deus, aleluia! A vida de Isaque nos revela o descanso em Deus. Ele amava ao Senhor e sabia que Ele era poderoso para fazer infinitamente mais além de tudo o que pedimos e pensamos... Quando nos propomos a buscar ao Senhor, devemos estar dispostos a obedecer-lhe a voz, mesmo que tudo nos pareça tão estranho ou mesmo “loucura”... O cristão aprendeu a orar com o Senhor Jesus e a confiar inteiramente Nele, dependendo de sua graça para tudo na vida. Portanto, descanse nele, cumpra a sua vontade e fortaleça-se em sua Palavra. Aprenda a entregar tudo sobre o altar da adoração, e coloque ali, também, a sua própria vida. E experimente como é maravilhoso servir e adorar ao Deus de Abraão e de Isaque, ao Deus que se manifesta com o seu poder e nos ensina a olhar para Ele, permitindo que Ele possa suprir as nossas necessidades e nos levar a conhecê-lo mais perto. Vale a pena orar! Vale a pena adorar ao Deus de Abraão e de Isaque! Vale a pena entrar nesta dimensão de vida abundante em Cristo Jesus! Experimente!

:: Por Pra. Ângela Valadão Cintra
Extraído de: www.lagoinha.com


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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

As três testemunhas


Jesus nos comissionou a testemunharmos sua palavra e ordenou que fôssemos por todo o mundo pregando o evangelho a toda criatura (Marcos 16.15). Cristo também nos enviou para fazermos discípulos (Mateus 28.19) e nos prometeu que seríamos suas testemunhas (Atos 1.8). O curioso é que, em Atos 1.8, vemos que os discípulos somente se tornariam testemunhas depois que recebessem o poder do Espírito Santo. Em João 3.5, lemos que, além do Espírito, há outra coisa que a testemunha necessita – a água: “Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus”. O próprio João, por sua vez, nos afirma que além do Espírito e da água, há um terceiro elemento fundamental para que alguém possa se tornar uma verdadeira testemunha de Cristo: o sangue. João escreveu o seguinte:

“E três são os que testificam na terra: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito” (1 João 5.8).

João nos ensina que a verdadeira testemunha deve trazer em si esses três elementos: o Espírito, o sangue e a água. Analisemos, portanto, desvendando o original, o que é ser testemunha de Cristo e qual é a sua relação com o Espírito, a água e o sangue.

Em grego, a palavra testemunha é “martureo”, que se relaciona com “martus”, traduzido por “mártir”. Em primeiro lugar, concluímos que a verdadeira testemunha é aquela que está disposta a entregar sua vida pela causa do evangelho. O verdadeiro cristão, aquele que realmente quer atender ao chamado de Cristo, deve ter em si o ardente desejo de anunciar o evangelho, custe o que custar. Isso envolve um sério risco de perseguição e morte. Ser uma testemunha é verdadeiramente perder a vida por Cristo, como está escrito: “Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á” (Marcos 8.35). A verdadeira testemunha não se importa em perder sua vida pelo evangelho, pois ela crê na palavra que diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11.25). A verdadeira testemunha vive com esta promessa gravada em seu coração, pois para ele, “viver é Cristo e morrer é lucro” (Filipenses 1.21), porque não é mais ele quem vive, mas Cristo que vive através dele (Gálatas 2.20). Paulo é um excelente exemplo da verdadeira testemunha, pois entregou sua vida e tudo que tinha pela causa do evangelho.

O termo grego “martureo” também se relaciona com “mermera”, que significa “zelo” ou “problema”. Isso porque o cristão que é zeloso é um portador do testemunho de Cristo, e isso gera ódio no inimigo, que tentará por todos os meios eliminar esse emissário da Palavra de Deus. Assim, a testemunha zelosa está sempre gerando problemas para o reino do inimigo e, por isso, vive em constante embate com as trevas.

Jesus já nos havia avisado sobre essa perseguição: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” (João 15.18-19). Quem vem para Jesus para ser amigo de todos e busca viver uma vida tranquila, está enganado. O descanso é a nossa recompensa, e não o nosso chamado. Nós fomos chamados para arrombar as portas do inferno (Mateus 16.18) e levar cativos aqueles que estão no cativeiro do inimigo (Efésios 4.8). É por isso que a palavra grega para “testemunha” (martureo) também traz a ideia de “estar ansioso” (mermairein), pois o verdadeiro cristão está sempre ansioso por revelar Jesus àqueles que anseiam ardentemente pela revelação dos filhos de Deus (Romanos 8.19). Esse é o verdadeiro cristão. Essa é a testemunha.

Agora, analisemos a função do Espírito, da água e do sangue no chamado da testemunha. O Espírito é aquele que concede poder às testemunhas (Atos 1.8). Esse poder a orientará sobre tudo o que a testemunha deve fazer e por onde ela deve andar. Em hebraico, as palavras “espírito” (ruach), “viajar” (‘arach) e “caminho” (‘orach) estão todas relacionadas, porque o Espírito é o vento que conduz no caminho, como em João 3.8: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”. O Espírito é quem estabelece o itinerário da testemunha, mostrando-lhe o caminho em que deve andar. Se em hebraico a Lei (torah) é a seta que aponta (yarah) para o caminho (‘orach) e uma pá (rachat) que abre caminho (‘orach), o Espírito (ruach) é aquele que dá poder (koach) à testemunha para que ela possa andar no caminho e brilhar como uma lua (yerach) que reflete a verdadeira luz e traz o aroma (reyach) suave de Cristo (2 Coríntios 2.15). Essa é a capacitação que o Espírito concede à testemunha. 

A água também exerce função especial no ministério da testemunha. Em hebraico, a palavra “água” é “mayim”, relacionada ao mar (yam). O curioso é que a palavra hebraica para água (mayim), na primeira vez que aparece na Bíblia, está associada ao Espírito: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas” (Gênesis 1.2). Assim, vemos que essas duas testemunhas - o Espírito e a água - estão unidas desde a criação. Isso porque o Espírito conduz a testemunha pelo caminho sobre as águas, assim como Cristo e Pedro, que juntos andaram sobre as águas (Mateus 14.29). Andar sobre as águas significa andar sobre a palavra, pois a água representa a purificação feita pela palavra, como em João 15.3: “Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado”.

Além disso, a água e o Espírito, unidos, representam o novo nascimento, pois como vimos, “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (João 3.5). O novo nascimento nas águas e o batismo com o Espírito faz com que a pessoa deixe de ser um “homem natural” (1 Coríntios 2.14) e se torne um “homem espiritual” (1 Coríntios 2.15). Essa transformação, feita pela união entre água e Espírito, está relatada em Romanos 12.2: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Após receber o Espírito e a água, a testemunha tem acesso à verdadeira vontade de Deus. Aquele que é nascido através da vontade de Deus (João 1.13) tem acesso à vontade de Deus e descobre que a vontade do Senhor é a santificação (1 Timóteo 4.3), e aprende que quem faz a vontade do Eterno permanecerá para sempre (1 João 2.17). Isso porque a vontade de Deus é que todos sejam salvos (1 Timóteo 2.4). Andar sobre as águas, através do Espírito, significa, portanto, conhecer e viver a vontade de Deus.

A palavra “água”, na verdade, aparece não somente no segundo versículo da Bíblia, mas no primeiro. Quando lemos em Gênesis 1.1 que Deus criou os “céus” e a terra, o termo traduzido por “céus” é “shamayim” que pode ser lido como fruto da união entre as palavras “fogo” (‘esh) e “água” (mayim). Ou seja, em hebraico, o céu é o local da habitação do fogo e da água. Assim, quando a testemunha recebe o Espírito, que sempre é acompanhado pelo fogo (Mateus 3.11), e a água, ela se torna um cidadão celestial, um embaixador (Efésios 6.20) da Nova Jerusalém. Espírito, fogo e água fazem da testemunha um fiel portador das coisas do alto.

Andar sobre as águas também significa andar sobre o desconhecido. Ainda que houvesse pescadores entre os judeus, o mar era um lugar desconhecido e temido na cultura judaica. Isso fica claro quando vemos a semelhança entre os termos hebraicos “mayim” (“água”), “yam” (“mar”), “ayom” (“terror”, “medo”), “eymah” (“horror”, “pânico”), “eymiym” (“terrores”, também nome de uma tribo cananeia composta por gigantes citada em Deuteronômio 2.10). A água, portanto, faz com que a testemunha vença o medo do desconhecido e passe a viver o sobrenatural de Deus.

Voltando a Gênesis 1.2, veremos que o Espírito pairava sobre as águas, e abaixo das águas havia o abismo. Quando o Espírito nos conduz a andar sobre as águas, nós cruzamos o abismo que há entre a morte e a vida. Esse abismo só pode ser cruzado antes da morte, para aqueles que receberam a salvação de Cristo. Após a morte, este abismo não pode ser cruzado, como Jesus nos ensinou na parábola do rico e Lázaro (Lucas 16.20-31).

Os bruxos que seguem os escritos de Aleister Crowley, o maior satanista do século XX, utilizam a “árvore da vida” da cabala como forma de seguir uma iniciação esotérica até cruzarem o abismo, quando passam a ter plena comunhão com os demônios. Veja como o inimigo está sempre querendo imitar as coisas de Deus e corromper as verdades bíblicas. É impossível cruzar o abismo sem caminhar sobre a água da palavra e ser conduzido pelo Espírito Santo. Quando o bruxo “cruza o abismo”, sua vida passa a ser completamente dominado por demônios. Quando a testemunha de Cristo cruza o abismo, ela se torna um com Jesus.

Por fim, há o sangue. Se em grego sangue é “aima”, em hebraico é “dam”, palavra que tem um gama de significados, cada um expressando uma verdade espiritual. Em hebraico, “sangue” (dam) se relaciona com “Adão” (‘adam) e com “semelhança” (demuth), a mesma palavra usada em Gênesis 1.16, onde se lê que o homem foi feito à semelhança de Deus. Assim, quando a testemunha recebe o sangue (dam), ela retorna ao estado de Adão (‘adam) antes da queda, tornando-se semelhante (demuth) a Deus. Ela se torna parecida com Cristo, assim como um filho que se parece com seu pai. Recebe o poder de ser feito filho de Deus, pois crê no seu nome (João 1.12) e permanece em Cristo (João 15.5), cumprindo seus mandamentos (João 14.15). Sem o sangue (dam) o cristão é cortado (demiy), fica mudo (damam), pois não consegue pregar a Palavra. Com o sangue, o Cristão está vivo, pois a vida está no sangue (Levítico 17.11).

O sangue nutre as células, protege o corpo, retira as impurezas, transporta hormônios e regula a temperatura. Assim também o sangue de Cristo nutre a testemunha, a protege, limpa e não permite que se esfrie. É uma capacitação para a verdadeira testemunha de Cristo.

Que você possa ser capacitado por Cristo para se tornar uma testemunha fiel da verdade do Evangelho e da soberana vocação de Cristo (Filipenses 3.14), em Nome de Jesus!
::Daniel Lago

Jornalista formado pela UFRJ, doutor em Linguística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e professor de Filosofia da Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo estudado hebraico na Sinagoga ARI, em Botafogo – RJ.


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sábado, 8 de janeiro de 2011

Lâmpada ou Estrela?

(Mateus 4.8-10)                      
Aproveitando os dias de férias, fomos, eu, minha filha e dois amigos ao Mirante na Praça do Papa, um dos belos lugares de Belo Horizonte. Ficamos lá, parados, em silêncio por um tempo, olhando para baixo, para todas as luzes que a cidade apresentava. Luzes coloridas que piscavam freneticamente como uma corrente sanguínea escorrendo feito um rio amarelo e vermelho. Uma cidade viva, pulsando com todo o seu brilho cheio de glória. Milhares de carros iam e vinham, prédios e suas luzes, anúncios e propagandas, tudo mostrava uma cidade que não para na busca de mais brilho. Insaciável.
               
No deserto, Jesus foi levado a um alto monte de onde o diabo lhe mostrou toda a glória do mundo, todas as luzes e brilho, e lhe ofereceu tudo, se Ele o adorasse. Como sempre, o diabo mostrou a direção errada, ele mostrou o chão. Tudo o que ele pode mostrar, o que pode oferecer, só pode ser visto olhando para baixo, toda glória caída foi posta diante de Jesus, o preço era simplesmente curvar-se a ele. Fácil e barato? Puro engano. 
Lá no Mirante, tirei os meus olhos das luzes da cidade. Mudei a direção do meu olhar. Olhei para cima, para o alto, para as estrelas, contemplei o que foi feito pelas mãos de Deus e que não pode ser tocado de forma natural. Depois de ficar apreciando a grandeza de Deus, olhei novamente as luzes ilusórias da cidade. De cima daquele monte, então a pergunta foi feita: para onde olhar? Para o temporal ou para o Eterno? Para o que se apaga ao amanhecer ou para a luz que nunca falha? Sempre haverá uma opção. Uma direção a tomar. Uma luz a seguir. Uma escolha feita todos os dias.               
Descemos do Mirante, nós quatro, cantando e rindo com a alegria de olhar para todas as luzes da cidade de um ponto de vista privilegiado. Olhamos para todas estas coisas através de Cristo, estamos Nele. A nossa escolha foi feita, preferimos olhar para o alto. Escolhemos olhar para onde Jesus escolheu olhar, adorando a Deus.                                  
Para onde você quer olhar? Qual será a luz que você irá seguir?

“Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a resplandecente Estrela da Manhã.”
(Apocalipse 22.16.)

::Nilma Gracia Araujo
nilmaraujo@hotmail.com      
Membro da I.B.C.V.N e aluna do Seminário Teológico Carisma


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sábado, 25 de dezembro de 2010

O verdadeiro Natal


Em período natalino, nada mais importante do que meditarmos não sobre Papai Noel, renas, trenós e presentes, mas sobre o fato mais maravilhosos da história da humanidade: o nascimento de Cristo. Assim, analisaremos João 1.14 com vistas a refletir sobre a encarnação do Rei do Reis e Senhor dos Senhores. O texto de João diz o seguinte:

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1.14 – Trad. João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada).

Como não é raro, a versão da Nova Tradução na Linguagem de Hoje nos oferece um olhar muito interessante e, até mesmo, mais fiel ao texto original:

“A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade. E nós vimos a revelação da sua natureza divina, natureza que ele recebeu como Filho único do Pai” (João 1.14 – Nova Tradução na Linguagem de Hoje).

A expressão “o Verbo se fez carne” deve ser lida em direta relação com João 1.1, onde vemos que “No princípio era o Verbo... e o Verbo era Deus”. Este Verbo, que é o próprio Deus, o apóstolo amado nos informa que ele encarnou em um corpo humano. Assim, João nos dá um testemunho tremendo sobre a divindade de Cristo. Em 1 João 5.20 o apóstolo novamente afirma: “Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” Ou seja, Cristo é o “alêthinos theos” (“verdadeiro Deus”), ao contrário do que todos os não cristãos acreditam e ensinam.

Este Verbo encarnado é, em grego, o logos. Este termo é tão rico em seus significados que é adequado para tentar explicar a soberania divina. O termo logos pode significar tópico, pensamento, razão, discurso, motivo, causa, comunicação, doutrina ou pregação. Ou seja: esta palavra, este Verbo, que está em Cristo e no Deus Pai, e que é ambos, é a força e o princípio de tudo o que existe, pois “nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17.28). João está se reportando não à filosofia platônica, mas à sabedoria dos Salmos, onde lemos que “Os céus por sua palavra (ou verbo) se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles” (Salmos 33.6). É a esse poder criador exclusivo de Deus que João está se referindo.

O curioso é que o termo “logos” vem de “lego”, que significa “reunir”, “montar”, daí o nome daquele brinquedo de montar peças. Falar é unir palavras, assim como escrever. Assim, Cristo não é apenas o Verbo, porque é dele que procedem todas as palavras e ordens divinas, mas também porque nele todas as nações da terra serão reunidas, pois através dele são benditas todas as nações da terra (Gênesis 12.3). Além disso, o termo “lego” também dá origem ao verbo “eleger” (em grego, “eklegomai”, literalmente, “reunir fora”). Por isso, Cristo é a “pedra eleita e preciosa, e quem nela crer não será confundido” (1 Pedro 2).

O termo “legal” também está relacionado com “lego”. Sua origem está no latim “legalis”, relacionado a “legis”, que origina, por exemplo, o termo “legislação”. Isso nos ensina que Cristo é o legislador, que os gregos chamavam de “nomothetes”. Esta expressão é usada por Tiago, quando diz: “Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer” (Tiago 4.12). Cristo é o verdadeiro Legislador, pois somente ele tem o poder de salvar e fazer perecer. Além disso, o termo “legislação” também se relaciona ao latim “legere”, que significa “reunir”, pois a legislação é uma reunião de leis. Assim também, Cristo é a consumação do que anunciaram as Leis e os Profetas (Mateus 22.40).

Além disso, o termo “logos” também se relaciona com a palavra “lealdade”, do latim “legalem”. Cristo, sendo o Verbo, foi leal e fiel até a morte, e morte de Cruz (Filipenses 2.8). Cristo foi leal, pois cumpriu toda a lei e toda a justiça divina (Mateus 3.15).

Outra derivação do termo grego para Verbo (“logos”) é a palavra “leitura”, derivada do latim “legere”. Assim, vemos que Cristo foi o único achado digno de ler o rolo selado que estava nas mãos do Pai, como está escrito: “Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da Tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos” (Apocalipse 5.5). Quando o Cordeiro abrir e ler este livro, todas as promessas serão cumpridas, e Deus enxugará toda lágrima, como foi prometido no Sermão da Montanha (Mateus 5).

O termo “logos” (Verbo) também origina a palavra “legião”, do latim “legionem”, que significa “reunião de soldados”. Durante o império romano, uma legião romana era composta por cerca de 3 a 6 mil soldados. Cristo, o Logos (Verbo) divino é o capitão das legiões e potências celestiais, como ele mesmo anunciou: “Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?” (Mateus 26.53). Cristo é o Verbo, pois todos os anjos estão subordinados ao seu comando.

Quando lemos “o verbo se fez carne” em grego, a expressão “se fez” é “egeneto”, que pode significar “passar para”. Assim podemos ler “o verbo se fez carne” como “o verbo passou a habitar a carne”. Assim, a encarnação é o momento em que a plenitude da divindade que habita em Cristo (Colossenses 2.9) passou a residir provisoriamente em um corpo humano. Observe que em Colossenses 2.9, o termo grego traduzido por “habitar” é “katoikei”, que significa “fazer morada permanente”, enquanto em João 1.14, o termo traduzido por “habitar” é “eskênôsen”, que significa “fazer um tabernáculo” ou “fazer uma morada provisória”. Isso porque Jesus, “subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Filipenses 2.6-7). Ou seja, Jesus esvaziou-se de sua glória para poder habitar provisoriamente um corpo humano. Todavia, quando de sua ressurreição, ele retomou todo o poder, e disse: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mateus 28.18).

Cabe ressaltar que, como vimos, a expressão “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” pode ser traduzida como “o Verbo se fez carne e estabeleceu um tabernáculo entre nós”. Assim vemos que a glória divina somente pode habitar a terra através de um tabernáculo, ou uma tenda provisória e móvel como aquele que Deus ordenou que Moisés construísse (Êxodo 25.40). É evidente que, após a morte e ressurreição de Cristo, e após o dia de pentecostes, nós passamos a ser o tabernáculo de Cristo na terra. Observe que as três grandes festas judaicas remetem a esta realidade espiritual. Primeiro havia a Páscoa, que representava a morte e a ressurreição (Cristo morto e ressurreto). Posteriormente, o Pentecostes, ou a festa da colheita (o derramamento do Espírito Santo em Pentecostes). Por último, a Festa dos Tabernáculos, que representava o povo como forasteiro na terra, mas acompanhados pela presença e provisão divinas.

Na frase “habitou entre nós”, a preposição “entre” é, em grego, “en”, que é usada 645 vezes no Novo Testamento com o significado de “em”. Assim, podemos traduzir “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós” como “e o Verbo se fez carne e estabeleceu um tabernáculo em nós”. Isso comprova que Cristo trouxe para dentro de nós, que agora somos templo do Espírito Santo (1 Coríntios 3.17), a sua habitação. Assim como Cristo fez um tabernáculo em um corpo humano quando encarnou, assim também fez um tabernáculo em nós, de modo que nos tornamos portadores de sua graça e de sua verdade.

“Cheio de graça e de verdade”. Em grego, o termo para “cheio” é “pleres”, que significa “pleno”, “repleto”, isso porque a graça e a verdade constituem a própria essência divina. O termo grego para “graça” é “charitos”, que está relacionado a “caridade”, “compaixão” e “gratidão”. Todavia, o termo equivalente em hebraico é “chesed”, que tanto pode significar “baixar a cabeça em respeito à igual” e “envergonhar” ou “reprovação”. Isso porque Jesus, ao encarnar, se humilhou e nos deu uma grande lição de humildade, mas também veio para julgar, como ele mesmo disse: “Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia” (João 12.48).

Outro termo relacionado à “chesed” (“graça”) é “chasut”, que significa “confiança”. O povo escarneceu da confiança de Cristo em Deus: “Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus” (Mateus 27.43). No final das contas, Deus livrou Jesus do tormento, pois Ele venceu a morte e voltou à vida! Cristo ficou firme (“chasiyn”) até o final, desejoso (“chassiyr”) por possuir (“chasan”) o tesouro (“chosen”) de sua herança.

Esta é mensagem do Natal: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Esse mesmo Jesus, que veio a terra cerca de dois mil anos está prestes a voltar para buscar-nos (João 14). Nesse Natal de 2010, pregue não apenas o nascimento, mas o retorno de Cristo, conforme a “bendita esperança” da noiva (Tito 2.13). Maranata! (1 Coríntios 16.22).
::Daniel Lago
Jornalista formado pela UFRJ, mestre em Linguística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e professor de Filosofia da Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo estudado hebraico na Sinagoga ARI, em Botafogo – RJ. 

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